Aveiro: A Veneza portuguesa e os prazeres de um turismo ostentação

Continuando a saga pelo norte, nosso ônibus partindo de Guimarães em direção a Aveiro iria fazer uma escala em Coimbra e lá nosso amigo Péricles iria se juntar a viagem. Mas, como era semana de Latada, e Pericão estava se divertindo horrores, ele deu para trás com a viagem e só foi até a rodoviária de Coimbra nos levar uns lanchinhos (obrigada Pericão!).

Primeira noite
Em menos de uma hora chegamos em Aveiro. Estava noite e garoando, mas só de ver o canal e os moliceiros (uma éspecie de gôndola) fiquei encantada pela cidade e com a sensação de que toda aquela chuva de Braga que derrubou o ânimo e a correria de Guimarães seriam situações esquecidas, deixadas no passado e uma bela estadia em Aveiro nos aguardava. Não poderia estar mais certa.

Fizemos reserva no Welcome In e ele está agora no meu top 3 melhores hostels em que já fiquei hospedada. É simplesmente incrivel! Pagamos 28 euros por duas diárias e, pode olhar as fotos do site, tudo aquilo é verdade, sem enganação. O café da manhã não estava incluso, mas, como o local também é um hotel tradicional, o tratamento é muito mais formal, as instalações sofisticadas e as camaratas, como eles chamam os quartos coletivos, possuem banheiro privado para as seis pessoas que cabem no espaço e são equipados com secador de cabelo (selo Maya aprova esta facilidade) e duas duchas . A decoração dos ambientes também me deixou impressionada e o espaço do bar e a cozinha são ótimos locais para reunir a turma. Mas, como disse, o local também é um hotel, então, nada de muito barulho na área comum pois não só de mochileiros é formada a clientela de lá.

Com a fome apertando perguntamos para o recepcionista uma sugestão de lugar para jantar e ele comentou, entre outros restaurantes, sobre o Pizzarte. Tão hypster com seu jogo de xadrez gigante, barbudos e meninas alternativas, tão requintado para os padrões restaurante da esquina com menu combinado que vinhamos comendo a viagem toda, ah o Pizzarte. Percebemos então que sim, estavamos ostentando aquela noite e, depois de vermos um anuncio em um dos menus que dizia “Sou chic”, adotamos a frase para a noite e até vinho pedimos.

#souchic

#souchic #rycos #fynos #ostentação

Cada um pediu uma massa e Juan foi o único que pediu pizza mesmo. Mas tudo estava incrivel, e, surpreendentemente, custou mais ou menos 8 euros por pessoa, com o preço do vinho incluido. Ah nossa primeira noite em Aveiro, dou risada só de lembrar o quão animada estava com tudo aquilo. Pobre não pode ter um pequeno luxo que logo fica deslumbrado.

Saimos rindo em direção a Praça do Peixe, local onde os bares estão concentrados mas, não se assuste se, às 3h da manhã a música acabar e você ser convidado a se retirar, é assim que funciona em Aveiro, as coisas fecham cedo e, para festeiros como essa turminha, isso foi um pouco frustante. Voltamos para o hostel e o dia seguinte guardava boas surpresas.

Segundo dia
O combinado era irmos numa reserva natural que tem próxima a cidade, mas acordamos tarde e precisavamos almoçar. Depois de andar pelas ruazinhas próximas a Praça do Peixe paramos no restaurante Ferro, que possuia menu combinado. O barato saiu caro, a comida não era boa e cada um morreu em mais ou menos 8 euros lá também. Antes tivessemos voltado ao Pizzarte (suspiros)

A felicidade contagiante de Juan com seu peixe

A felicidade contagiante de Juan com seu peixe

Resumindo, não dava mais tempo de ir até a reserva então resolvemos pegar umas Bugas e passear pelo canal principal da cidade. As Bugas são as bicicletas que Aveiro disponibiliza, gratuitamente, a todos que quiserem conhecer a cidade em cima de uma magrela. Basta deixar um documento de identidade, pode ser carteirinha escolar ou qualquer coisa do gênero e devolver a bicicleta antes do fim do expediente do ponto de retirada, que nosso caso seria às 18h.

No inicio do nosso passeio de bike a Maya até tinha comentado que a bicicleta era um pouco grande para ela, mas estava tudo bem até chegarmos numa especie de desnivel e eu, que ia na frente gritar: “Maya, cuidado aí que agora tem um obstáculo. Maya? Maya?” Olhei para trás e só vejo o Juan correndo para salvar a amiga que quase caiu no canal e eu, como boa pessoa que sou, corri para tirar fotos, é claro! Até hoje relembrar esse momento me faz cair na risada, foi genial.

Segura que a mulher tá caindo kkkkkkkkk

Segura que a mulher tá caindo

E, depois de uma tarde com tantas aventuras, resolvemos sair mais cedo do hostel e fazer um pub crawl por conta própria na Praça do Peixe e, com cada um pagando uma rodada, fomos em quatro bares de estilos diferentes, que chegavam a cobrar 3 euros (!) por (fracos) shots. Ainda assim deu para se divertir, dançar, dar risada e, claro, rir um pouco mais relembrando o acidente daquela tarde

Terceiro dia
Na tarde seguinte lá fomos nós para a praia de  Costa Nova, uma das mais faladas de Aveiro e que me deixou um pouco decepcionada.

Convenhamos que outubro não é um mês assim de mega calor e que a temporada de férias de verão já tinha acabado fazia um tempo, mas, ainda assim, eu tinha ouvido falar tanto de lá, das casas listradas, a ida até lá estava no meu caderninho, que eu acabei convencendo todo mundo que seria uma boa ideia dar uma passada por lá. Foram 3,75 euros de ônibus ida e volta, uns vinte minutos dentro do ônibus, quarenta na praia e voltamos para o centro de Aveiro. Se você já ouviu falar de Costa Nova e está louco para conhecer as casinhas listradas, veja as minhas fotos e, estando em Aveiro, vá para a praia da Barra que, descobri depois, é mais agitada e possui quiosques, mercadinhos e guarda-sóis. Ainda assim, deu para ficar pertinho do mar, relaxar um pouco, pensar na vida e meter o pé na areia.

Era hora de voltar para Coimbra e sossegar um pouco das viagens e focar no estudo. Até surgir a próxima parada: Alemanha 😉 até o próximo post.

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